segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.
Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna
que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas.
Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar.
Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta,
era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma,
e sem sequer precisar me procurar.

A Paixão Segundo GH - Clarice Lispector

domingo, 31 de outubro de 2010



Mudar é preciso!
Porque a vida pede movimento...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010



Os filmes nos trazem tantas surpresas...

Hoje vi um filme maravilhoso sobre a relação de duas irmãs e seus conflitos chamado "Em seu lugar", que me apresentou dois grandes escritos da literatura americana. Sim, eu confesso, não os conhecia... isso faz de mim uma ignorante? Talvez... mas sempre é tempo de descobrir, de desvendar, e os filmes são excelentes para isso, também!
Vou então postar os dois poemas que me levaram às lágrimas nesta manhã de segunda-feira cinzenta...


A Arte de Perder - Elizabeth Bishop

A arte de perder não é difícil de dominar

Tantas coisas parecem cheias da intenção de

serem perdidas
Que sua perda não é um desastre.

Perca alguma coisa todos os dias
Aceite o contra-tempo de perder as chaves da porta
A hora gasta inútilmente.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Depois, pratique perder mais, perder mais rápido
Lugares, nomes, situações....tantas coisas

Eu perdi duas cidades, dois rios, um continente
Eu os perdi, mas não foi um desastre.
Até mesmo perder você (a voz brincalhona, aquele gesto que eu adoro), não muda nada.

É evidente que arte de perder não é difícil de dominar
Embora pareça,

Embora possa parecer (escreva!) um desastre.

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Eu carrego você comigo - E. E. Cummings

Carrego seu coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele.

Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça,
Eu faço por você.

Não temo meu destino
Você é meu destino, meu doce.
Eu não quero o mundo, por mais belo que seja.

Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.

Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA.
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder.
E esse é o mistério que mantém a distância entre as estrelas.

Eu carrego seu coração comigo,
Eu o carrego no meu coração.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Problemas têm família...



No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto,
A partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela - silêncio perpétuo, extinto por lei todo o remorso.
Maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais.
Mas problemas não se resolvem...
Problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear...
O Problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.

Leminski

domingo, 13 de junho de 2010



Clarice me traduz...

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver (...)
Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.

...

À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa.
Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios.

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Não sou comum...

Estava olhando uns Orkuts por aí e vi tanta gente que cresceu comigo, hoje com filhos, família constituída, emprego estável, dirigindo seus carros, levando os filhos ao colégio, ou seja, com tudo aquilo que se pode falar de uma vida de adulto.

É tão estranho ver que muitos deles e delas mudaram e outros continuam iguaizinhos... só que com filhos... coisa estranha essa. Adultos que conheci criança ou adolescente e agora, adultos... pais e mães de crianças.

Falo isso porque sempre que observo um adulto, principalmente aqueles sérios, absortos no trabalho, fico imaginando ele (ela) criança. Será que já eram sérios assim, será que retinham os brinquedos só pra si, será que se lambuzavam de sorvete, que brigavam na rua, será que eram excluídos e por isso hoje excluem?! Sei lá... é louco, eu sei, mas adoro imaginar essas coisas. Daí me lembro da música do Arnaldo Antunes que fala sobre isso e que tem um título fantástico “Saiba”. Acho que justamente pra lembrar aos adultos de que eles um dia foram crianças, e só tornaram-se adultos; não nasceram nessa condição. A música pra mim, diz que a vida é importante demais pra ser levada a sério, é uma grande brincadeira! Ele fala: “Saiba: Todo mundo teve infância, Maomé já foi criança. Arquimedes, Buda, Galileu e também você e eu”. É muito bacana e isso me faz pensar no quanto negligenciamos a infância, sendo que ela é a parte mais importante de quem fomos e “quem” nos constituiu para hoje sermos o que somos, bons ou maus, solidários ou egoístas, sozinhos ou cheios de amigos e por aí vai...

Mas esse é um tema pra ou outro post, hoje quero falar sim da minha infância e adolescência, muito mais pelos que estiveram comigo e hoje – muitos deles – são como completos estranhos, e muito também pra dizer o quanto me sinto diferente deles, nem melhor nem pior, só diferente. E vou falar: eu gosto dessa diferença.

Na verdade acho que não cresci não... hoje estava me apercebendo disso. Eu sou adulta porque a vida me obrigou a ser. Tenho trabalho, responsabilidades, contas pra pagar, gente pra cuidar, mas a minha criança permanece comigo o tempo todo. Senão vejamos, adoro comer porcarias, não gosto de frutas e verduras, jogo videogame, adoro estar cercada de amigos, mas às vezes quero ficar só, adoro brincar, fazer rir, sorrir, caminhar na praia, ir às festas, adoro andar descalço, não ligo muito para as convenções, prefiro arte a números, choro com e sem razão, sou desastrada, gosto de guitarra, de música no último volume, de desenho animado, não gosto de gente séria demais, amo desenhar e pintar, andar de patins e bicicleta, assistir ao pôr do sol, caminhar na rua e muitas outras coisas que não ouso mencionar...

Acho que sou como os artistas, que declaram ter a alma livre; sou como as pessoas atemporais, que se recusam a crescer, a serem iguais, no sentido de terem uma vida dentro do padrão: crescer, passar no vestibular, fazer faculdade, começar a trabalhar, namorar, casar, ter filhos, comprar bens, endurecer, ficar mais pesado, ter muitas responsabilidades e reuniões, não ter tempo pra família, trabalhar, trabalhar, juntar coisas, ver os filhos crescerem e finalmente, morrer... e lá se foi uma vida...

Não sou assim, me nego a sê-lo...

Quero calçar tênis enquanto puder, usar roupas leves e floridas, quero renovar meus sonhos, todos os dias... Tirar um dia de folga no meio da semana pra ir à praia, tomar um sorvete, ir ao cinema, ou simplesmente, não fazer nada... quero brincar de viver como disse Guilherme Arantes e docemente Bethânia cantou.

Quero continuar desenhando, escrevendo, fotografando (me maravilhando com as cores da vida) enfim, não me conformando com o que foi destinado a mim e a tantas outras mulheres como “A” possibilidade de felicidade: casar, trabalhar e ter filhos (não necessariamente nessa ordem).

Quero deixar outro legado pela minha passagem neste planeta, quero poder ser lembrada por outras realizações, tal qual Clarice Lispector que, apesar de ter seguido o que se destinou a ela, ficou imortalizada pela sua inquietude enquanto mulher e ser humano. Ou como Cora Coralina que viveu um casamento tradicional e só aos 75 anos de idade tirou da gaveta seus escritos e publicou seu primeiro livro. E ela ainda se achava mais doceira do que escritora...

Sei lá o que eu vou deixar pra humanidade, mas certamente não será o que muitos deixam. Eu, definitivamente, saí da calçada dos tijolos amarelos... Peguei um atalho. Onde ele me levará ? Não faço ideia... mas vou até o fim!

E termino referenciando Cora, dizendo que não sei se a minha vida vai ser curta ou longa demais, só quero “que ela seja intensa, verdadeira... pura, enquanto durar.”

Não quero deixar nada pela metade. Quero ser inteira, mas do meu jeito!

É isso...

terça-feira, 18 de maio de 2010


As coisas que aprendi com as crianças


Confiança é um ato de fé, primeiro em você, depois no outro.

A verdade, não é uma palavra, mas uma ação viva, presente!

A alegria é o néctar de tudo na vida!

A capacidade de se refazer, pelas próprias mãos: cair, limpar o joelho e recomeçar a brincadeira...

A capacidade de ver com os olhos da alma...

A amizade e lealdade de um menino com o outro é função da vida: ser leal sempre!!!

Descer uma ladeira correndo e gritando, sem pudor ou medo do que vai encontrar pela frente.

Quebrar em pedacinhos o que queremos descobrir, desvendar, só pra saber como funciona; ou simplesmente, sumir com o que nos incomoda.

Transformar os caquinhos do vaso da sala que acabamos de quebrar num lindo peixe de mosaíco, num novo radinho, um novo carrinho, uma nova boneca...e sair por aí mostrando e gritando"pai, olha o que eu fiz...”

Valorizar cada ato, cada gesto e cada criação como se fosse a coisa mais importante do mundo...

Abraçar todas as vezes que sentir vontade sem medo de não ser correspondido... abraçar o mundo inteiro com toda a intensidade e vontade que se é capaz...

Rodopiar, dar um gingado e passar uma rasteira no problema ou na dor, ou no medo...

Ganhar a brincadeira e fazer disso uma comemoração digna de final da copa, quando o nosso time ganha, claro!

Espalhar no colorido da vida tudo que sentimos...

Escrever nossa história nas páginas de um caderno imaginário, só nosso...

Sentir o beijo do vento no rosto, tal qual ele beija uma palmeira e ela se balança pra agradecer.

Fazer careta pras coisas que não gostamos...

Ser ingênuo, a ponto de acreditar que não vamos crescer nunca... ou que isso vai acontecer só quando cansar de brincar...

Fazer do conhecimento uma grande aventura...

Se alimentar de sonhos e de luz...

Acreditar em tudo que não somos capazes de ver...

Aprender brincando...

Ter muitos amigos...

Superar as limitações com coragem...

Sorrir ... sempre...

Celebrar a vida... sempre...

Amar a vida, sempre... a cada instante...

Esperar a próxima brincadeira...

Ver a estrada e pensar que se tivéssemos uma tesoura gigante poderíamos cortá-la e assim encurtar a viagem...

Se enfeitar com as cores mais vibrantes, porque é assim que tem que ser...

Pensar em Deus como aquele menino que tá escrevendo uma história e colando as imagens que gostaria... e dando vida a tudo...

Olhar pro céu e ficar sem entender porque que as estrelas não caem de lá. E mesmo assim, sem entender, achar lindo os seus jogos de luzes...

Pensar que quando um barco chega lá na linha final do mar (aquela que a gente consegue avistar), ele vai cair...

Ser feliz sem motivo... ou com motivos...

Desenhar, desenhar e desenhar...

Imaginar, imaginar e imaginar...

segunda-feira, 3 de maio de 2010


Vida louca, vida
Vida breve,
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve!

Vida louca, vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa!

Cazuza

sexta-feira, 30 de abril de 2010


Agora que chegaste a idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler esse livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala verdade, Dinah, já comeste um morcego?".
Não te espantes se o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?". Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão estranha em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que eu inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha" o importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço. Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon" pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?".
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo o que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou? Mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
Disse o ratinho: "Minha história é triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam um romance, pois, um romance é só um jeito de contar uma vida, foge, polida, mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!". Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desespere ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito. Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou nos nossos domínios disfarçados de camundongos. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre muito cômico, nunca devemos perder o humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar o humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. CUIDADO, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

PARA MARIA DA GRAÇA - Paulo Mendes Campos

quinta-feira, 29 de abril de 2010


A revolução da imagem - Cinema 3D

Ontem fui presenciar aquilo que achei mais revolucionário em termos de imagem nos últimos tempos, o cinema 3D. Fui ver Alice no País das Maravilhas, do Tim Burton.
E que revelação para os meus olhos. As imagens saltam até você. Como se pudéssemos pegá-las. Fantástico!
Me culpo por não ter ido ver Avatar em 3D, porque aí sim tinha sido uma overdose. As imagens de Avatar, que são perfeitas e a possibilidade de entrar naquela floresta, tinham me causado uma verdadeira viagem. E quem não quer se teletransportar pro filme que está vendo? Quem sabe Avatar volta pro cinema.
Daí fui pesquisar sobre o cinema 3D, porque entre uma cena e outra, às vezes, tirava os óculos pra tentar entender como a coisa era feita. E o que vi foi uma imagem sobreposta à outra e fiquei mais curiosa ainda. Bem, o fato é que pesquisando na net encontrei algumas coisas interessantes.
Primeiro, que a imagem 3D nem é uma novidade, ela existe desde o século XIX e teve sua primeira utilização no cinema em 1950. Imagina aí... claro que sem a tecnologia fantástica que é hoje.
E aí, me lembrei que nos anos 80 vinham muitos circos para Fortaleza (montados no Iguatemi) que faziam exibições de cinema 3D. Na verdade, não era bem um filme, era mais uma sequência de vídeos expostos numa tela imensa em tamanho e largura onde passavam cenas de lugares como uma montanha russa (um carrinho subindo e descendo que dava a impressão de que estávamos dentro dele), cachoeiras, voos e mais um montão de cenas de aventuras e adrenalinas. Lembro que fui uma vez e terminei com muita dor de cabeça e vomitando.
Agora é tudo mais ameno, embora tenha conhecimento do cara que teve um enfarto após ver Avatar e saber também que a mãe de uma amiga teve crise de labirintite depois de ver Alice.

Então, como é que acontece a mágica?

Segundo o que li, tudo realmente não passa de uma ilusão de óptica no nosso cérebro (a máquina mais fantástica do mundo) que engana seus olhos para que você sinta que está vendo algo através de uma janela entre o mundo real e o mundo do cinema. Onde os personagens interagem com o cenário de uma forma bastante real, e nós, com eles.
Explicando: temos uma visão binocular, ou seja, cada olho enxerga uma imagem diferente e o cérebro as combina numa única imagem.
O 3D se utiliza dessa dualidade e cria a idéia de textura e profundidade porque as cenas são captadas com duas câmeras uma grudada na outra (assim como se fosse nosso olho esquerdo e o direito) e precisa também de dois projetores especiais para jogar a imagem na telona, que é exibida de forma alternada. Essa alternância supersônica junto com os óculos especiais (que utilizam filtros que impedem o olho esquerdo de ver algumas imagens e da mesma maneira o direito, causando uma fusão das duas ilusões) que transmitem ao expectador a sensação de estar próximo da tela e ver a textura das cores.
Cria uma terceira imagem no nosso cérebro utilizando a sutil diferença angular entre as duas imagens para auxiliar na percepção da profundidade (a terceira dimensão).
Ufa! Entenderam? Se não, é melhor pesquisar por que isso foi o máximo que consegui.
Mas no cinema 3D, pode confiar!

domingo, 25 de abril de 2010



A minha, a nossa Beira-Mar


Ontem fui dar uma caminhada ao ar livre, sem muitas pretensões. Só pelo simples prazer de olhar a vida, de fazer parte da sua paisagem. De fazer o exercício das pequenas coisas.
E como é bom ter na minha cidade o mar ali pertinho, ao alcance. Dá uma sensação de possuir uma riqueza de coisas belas, sem nos custar nada.
E como a cidade fervilha no final da tarde. São crianças, adultos, namorados, esportistas, idosos, cachorros, turistas, amantes, enfim uma infinidade de gente e de cores.
E o que é aquele pôr-do-sol na Praia de Iracema? E as cores do crepúsculo? E os barcos? Não tem como descrever, só indo lá.
Eu até pensei em levar a câmera, mas eu estava a fim mesmo era de curtir, de absorver tudo. Sentir aquela maresia invadir meus pulmões, ouvir as ondas batendo nas pedras e agradecer a vida.
Bacana foi descobri tanta coisa nova: um novo calçamento no aterrinho que termina no mar, uma outra loja do Café Castagno (com cara de aconchegante), o jardim Japonês que está quase pronto e lindo, o atirador de facas fazendo sua apresentação ao lado da família e falando em Deus, os gringos que se esforçam para pertencer à minha terra e que maltratam tanto o meu povo, os trabalhadores informais que sorriem pra qualquer um, enfim, universos tão diferentes que naquele lugar parecem ser um só.
Como é bom poder redescobrir minha cidade!
Ontem, lavei meu pé no mar, brinquei na areia, tomei água de coco, comi milho verde, vi os artesanatos... fiz um excelente passeio. Vou fazer mais vezes!!! Prometo!
É sempre um prazer te visitar, minha Beira-Mar!

sábado, 24 de abril de 2010



Eu tô lá no mar
E o sol tá brilhando
Na espuma da água
Eu desci da aldeia
Eu deixei minha mágoa
Eu lavei minha alma
Eu só quero Amor...

David Duarte

sexta-feira, 23 de abril de 2010


Os livros

Ontem assisti alguns programas de tv falando sobre as novas mídia tecnológicas na área da escrita e da literatura que estão mexendo com o mercado de editoras. Os leitores de livros virtuais. No caso, a bola da vez é o IPad da Appe. E como hoje é o dia internacional do livro, resolvi abordar o assunto.
Vejamos, a tecnologia é sempre algo que me estimula bastante e como é bom poder ter vários livros juntos num só local quando se está viajando. Não ocupa espaço na mala. Nem dá problema alérgico por causa dos famosos ácaros. No mais, fico pensando nas reais vantagens desse novo jeito de ler livros.
E o prazer de folhear as páginas? E o cheiro de livro novo? E colocar mais um na sua estante, na sua biblioteca tão construída, tão em desenvolvimento como a própria vida?
Quem pode substituir tudo isso?
Acho bacana, mas acredito que o livro é mesmo um objeto transcendente como disse Caetano na música Livros.
Ou como disse Clarice em Felicidade Clandestina: " Não era mais uma menina com um livro. Era uma mulher com seu amante."
Os livros impresso não vão acabar enquanto houver alma humana habitando esse planeta, enquanto existirem pessoas apaixonadas pelas cores, linhas, letras e páginas que só o amor táctil é capaz de proporcionar.
Amo os livros e todos os livros que amo, tenho certeza, me amam também!

quinta-feira, 22 de abril de 2010


Hoje reencontrei meu elo, meu eixo...
Foi tão bom!


quarta-feira, 21 de abril de 2010

BULA



Nossa, faz muito tempo que não escrevo aqui.
Fiquei, digamos, atraída pela outra mídia social, o twitter.
Mas agora voltei. Pra rever os amigos (frases longas e pensamentos complexos).
E aí fiquei pensando sobre o que escrever.
Tanta coisa aconteceu desde a morte da Zilda (último post), não é verdade?
Para ser mais fiel à realidade, digamos que o que passou, passou. Já foi.
Bom é falar do agora, sempre. Afinal, é nele que vivemos.
Então falemos de saúde, que o bem mais precioso que temos. Justamente porque ela está me faltando. Isso mesmo. Estou doente, com uma tal de bronquite asmática pra lá de violenta.
E é bom vocês saberem um pouco mais dela porque ninguém está imune. Nasce de uma simples gripe, depois uma rinite alérgica e quando vê, tá lá a maledita.
Estou fazendo o tratamento direitinho, pelo menos o aleopático, porque tenho que fazer muitas mudanças estruturais na minha vida. Aí é que o bicho pega.
Mudar rotinas, cotidianos e hábitos é o que há de mais difícil na história da humanidade, ela acontece a passos muito lentos. E porque justo na minha vida, tem que ser de repente?
Enfim, quem disse que a vida é justa não é mesmo...
Mas tenho também muita coisa boa boa fluindo dentro de mim. Muitos planos, desejos, sonhos revisitados, essas coisas.
Tô mais viva que nunca! Pulsando...
Depois conto mais, tá?
Beijos especiais às minhas queridas Moniquita e Bebel (esta última não aderiu ao twitter, e por isso me cobrou o fato de não postar mais no blog).E que 140 caracteres não nos separem mais...
Inté...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Morre Zilda Arns no terremoto do Haiti



A luta em defesa das crianças e adolescentes está em luto.
Deus mandou buscar o anjo que estava faltando por lá.
Estamos em luto pelas pessoas no Haiti!

Ps: acho ela muito parecida com a minha mãe. Me emociono ao vê-la.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Os últimos filmes que eu vi e que me encheram a alma




Lula - o filho do Brasil - Faz a gente chorar do início ao fim. Um filme forte, com gente real, mostrando quem são os guerreiros desse país tão desconexo. A teimosia é o caminho, nos ensina D. Lundu, mãe do Presidente Lula.

Avatar - traz tanta esperança e ao mesmo tempo tristeza com o que acontece à natureza, que dá vontade de ser totalmente voltada para ela. Sem falar nas imagens... a cena de todos orando ao redor da árvore mãe é um espetáculo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Tudo novo de novo. 2010 bate na porta!


Um ano novo começa
com a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)

Ferreira Gullar

Foto: Monica Saraiva