quarta-feira, 22 de junho de 2011


Conheça Jericoacoara

A vila de Jericoacoara pertence ao Município de Jijoca, distante 300 km de Fortaleza. E é bem interessante o fato dela ser uma pequena vila cercada de dunas praticamente no meio do nada e mesmo assim, milhões de pessoas no mundo todo saírem de suas casas simplesmente para estarem lá, numa pequena vila.

O que será que atrai tanto as pessoas até Jeri? Fiquem pensando nisso na ida para lá. E não é preciso gastar muitos neurônios para obter as respostas, porque elas estão todas ali, a olhos vistos. São dunas branquinhas, um mar primoroso, a pedra furada (mais famosa do planeta, de onde se vê o sol se por dentro dela), lagoas de águas transparentes (talvez só sejam encontradas iguais no Caribe), um mangue com uma biodiversidade incrível e uma duna de onde se vê o por do sol mais lindo do mundo...

Jeri hoje está muito sofisticada. Pousadas e hotéis maravilhosos, com excelente infra- estrutura e tecnologia por todos os lados.

A culinária é um elemento à parte. Os restaurantes são todos lindos e com comidas que nos fazem engordar alguns bons quilinhos.

Um detalhe muito importante: Jeri é para todos os bolsos e necessidades. Você encontra pousadas, hotéis e restaurantes com preços bem variados para agradar todo mundo mesmo.

A noite de Jeri também é famosa devido ao forró que rola quase toda noite. Eu que não sou muito adepta da vida noturna, não tenho muito o que falar sobre. Mas das estrelas que se vê em Jeri eu posso falar. É possível ver as constelações mais lindas começando pelo cruzeiro do sul devido à localização da vila ser bem próxima a linha do Equador... uma maravilha! Ah e quem chega do forró de madrugada tem o privilégio de ver o magnífico nascer do sol de Jeri.

Algo que não pode deixar de ser feito são os passeios. Lá tem bugueiros credenciados para levar os turistas e amantes da natureza para apreciarem as belezas da região que são muito bacanas.

O povo de Jeri também merece uma citação, pois são sempre muito gentis, educados e solícitos. Cheio de histórias maravilhosas sobre o lugar. Vale muito a pena parar um pouquinho para ouvi-los. Achei muito legal encontrar pessoas que parecem ainda viver nos anos 70 de tão alternativos que são, vivendo numa espécie de comunidade hippie.

Jeri é, portanto, um paraíso acessível...

Agora, para mim, que conheço Jeri desde 1994 percebi muitas mudanças (claro!), algumas muito boas, outras nem tanto.

A pequena Jeri recebe turistas praticamente todos os dias e o mundo todo se encontra lá. Isso traz preocupações com as questões da preservação do lugar, do lixo não reciclado e da consciência ambiental das pessoas. É preciso que toda a população e o poder público do lugar trabalhe isso com muita urgência. Vi muitos animais sendo usado para carregar pessoas, muitos gatos e cachorros abandonados e muita gente sem consciência ecológica.

Eu sempre que fui lá, senti uma coisa diferente, um contato mágico com aquela natureza, coisas que o distanciamento da dita “civilização” proporcionava. Para se ter ideia, quase nem tinha telefone lá. Notícias da tevê, se sabia muito pouca. Aliás, a morte da cássia Eller eu soube lá, três dias depois do ocorrido. Era mesmo uma alternativa para a vida cotidiana na cidade.

Havia uma magia astral no lugar, um clima diferente que não saberia descrever em palavras que infelizmente dessa vez não senti. Isso me entristeceu. Porque tá tão com cara de cidade, com tantas coisas tecnológicas e tão voltada para o turismo de consumo e não de preservação, que não difere muito da tal civilização. Não é mais uma vila de pescadores que recebia pessoas para curtir a vida mais natural. É um lugar que o capitalismo assumiu o controle e fez de Jeri “apenas” mais um destino turístico do Ceará. Não que isso seja ruim, mas perdeu-se muito das características essenciais.

Apesar disso tudo, Jeri é um encanto e sempre será. A não ser que a especulação imobiliária continue e o comércio seja mais e mais explorado. Tudo bem a pequena vila sobreviver do turismo, mas transformá-la simplesmente num lugar de ganhar dinheiro é tirar dela o que há de mais bonito.

Vá a Jeri e tire você mesmo as suas próprias conclusões... mas por favor, seja ecológico. Não estrague o paraíso!

terça-feira, 21 de junho de 2011


Dicas para curtir Jeri...


Antes de ir pesquise bastante onde ficar, disso vai depender sua boa estadia, analise:

Preços - vejo o que cabe no seu bolso, mas não abra mão de qualidade;

Localização - veja no mapa da vila onde fica a pousada, se for muito distante do centro, não costuma ser muito legal;

Serviços -o que a pousada oferece? Café da manhã, internet, passeios?

Preste bastante atenção nas fotos, às vezes elas enganam a vista.

E leia comentários sobre o lugar, às vezes tem na própria página da pousada. O Orkut também te muitas comunidades de pessoas que foram e avaliaram tudo...

Não leve muita mala, o lugar pede roupas leves e certamente você vai precisar de pouquíssima roupa, visto que a maior parte do tempo você vai ficar de biquíni/sunga saída de banho e chinelo. Opte por levar mochila, é mais prático e você entra no clima alternativo do lugar.

Você pode sair de Fortaleza pela empresa Redenção que tem ônibus saindo do aeroporto e depois passa pela Av. Beira Mar. Ele sai diariamente de manhã e à tarde e demora cerca de 5 horas de viagem. O ônibus não para em nenhum lugar e vai até Jijoca de onde se pega uma jardineira até Jeri. Indo pela vila e praia do Preá. O percurso é lindo. Mas também tem pousadas que incluem o translado no seu pacote.

Nunca vá ou volte pela empresa que faz a linha de ônibus regular, pois para em toda rodoviária, o que faz a viagem ser mais demorada. A linha é a Fretcar.

De carro também não é lá muito boa ideia, porque você não poderá ficar usando na vila. Ele ficará parado na entrada, porque só carros autorizados podem trafegar dentro dela. Nem que você tenha um 4x4 e possa ir para os passeios, pois precisará, no mínimo de um guia, o que pode sair pelo mesmo preço dos passeios com os bugueiros. Mas se o seu caso é chegar logo e ter mais liberdade, reflita sobre a questão do carro e coloque na balança.

Falando nisso, nunca aceite ir aos passeios com bugueiro não credenciado. Isso é sério. Exija um que tenha o selo da associação dos bugueiros. E quando comprar o passeio pergunte o nome do bugueiro que vai leva-lo, porque eu não fiz isso e o cara que é credenciado não foi e mandou outro ir, um horror. Não fez o passeio à pedra que estava incluso, quis me cobrar por isso, ficou querendo vir mais cedo (o passeio é de 9 às 15h). Ruim mesmo. Um tal de Saruê.

Se possível faça todos os passeios, mas se não puder, prefira o que inclui as lagoas: azul, do paraíso e do coração. Tem incluso a ida à perda furada. O outro passeio é no mangue de onde se pode ver os pequenos cavalos marinhos no seu habitat.

No fim da tarde todo mundo sobe a famosa duna para assistir ao por do sol. Um espetáculo com direito à palmas no final... leve água pra beber, pois o percurso é um pouco íngreme e cansativo, mas o visual logo faz valer o pequeno esforço da subida. Ah, cuidado com câmeras, porque às vezes venta muito e como os grãos são muito finos, pode sujar e até arranhar a lente. Dica, grave o espetáculo dele se pondo, é sem igual.

Depois que ele se por, desça logo, não fique lá porque na praia sempre rola uma roda de capoeira.

A ida a Pedra Furada pode ser feita a pé que é um pouco demorada, mas vale a pena pelo visual. Também pode ser feita de charrete, mas esse pra mim é terrível pelo pobre do animal que tem que te carregar quando você poderia se propor a fazer uma excelente caminhada. E também pode ser feita de buggy. O melhor é ir à tarde porque o por do sol de lá também é fantástico. Se você for caminhando, vá de tênis...

Fiquei em dúvida entre duas pousadas bem no centro (na rua do Forró) A Capitão Thomaz que é bem grande e tem vista pro mar e a Blue Jeri, que é aconchegante e tem uma fabulosa jacuzi no alto com vista panorâmica pro mar e é ligada à Mosquito Blue uma das mais caras de lá. Você pode usar as cadeiras da praia e o restaurante da Mosquito Blue. Tem conexão wi-fi e o atendimento é muito bom, quartos lindos, é bem central e é pequena, bem intimista. Sem muita gente circulando. Já deu pra perceber que optei pela Blue Jeri e não me arrependi... ela é excelente. Mas se preferir, você pode ir e escolher a pousada lá, pois tem muitas opções para todos os bolsos.

Pra finalizar, ela tem ainda um bom atendimento, quartos lindos, é bem central e é pequena, bem intimista. Sem muita gente circulando.

O melhor é ir na baixa estação que os preços são melhores. Na alta estação tudo é mais caro lá, desde a diária até o refrigerante. Meu povo, o preço da latinha de refrigerante em alguns lugares chega a custar 4,00 R$.

Aliás você precisa levar dinheiro, primeiro porque lá não tem caixa eletrônico e segundo o uso de cartão é bem restrito, principalmente nos restaurantes. Mas se você não tiver levado suficiente, vá ao Mercadinho Tem de Tudo que eles passam o seu débito e te entregam o dinheiro, mas cobram 10% do valor retirado.

Se sua câmera der defeito, lá eles vendem ainda câmera analógica subaquática. É uma alternativa, no final das contas.

Nos passeios às lagoas a dica é a seguinte: vá alimentado, porque as comidas lá são bem caras, principalmente a da lagoa do paraíso. Para você ter ideia, uma porção de batata frita custa 15,00 R$, um absurdo! Tome água de coco, ou outra coisa básica.

Vamos agora aos restaurantes... eu fui a poucos, mas tem muita coisa boa na vila.

Primeiro o restaurante da Mosquito Blue que fica bem na praia, além de ser lindo, a comida é divina. Só é um pouco cara, mas vale. Além disso, toda noite tem música ao vivo e um dia na semana tem apresentação de capoeira. Durante o dia é bem bacana também.

Já o restaurante Tamarindo é divino, maravilhoso. Comi uma pizza fininha, com um sabor inigualável, excelente atendimento e uma belezura de lugar. Dá nem vontade de sair de lá.

Se quiseres comida barata, vá ao Baião de Dois que servem porções individuais. Bem barato mesmo e muito gostoso.

Fui à Creperia Naturalmente que tem um visual lindo, também de frente pra praia, mas achei o crepe muito oleoso, não sei se foi o sabor que eu pedi: queijo, manjericão e tomate. Enfim, muitas pessoas recomendam, eu não gostei.

Agora a melhor comida que provei lá foi num lugar vizinho a Dona Amélia que só abre à noite e trabalha com batatas recheadas que é uma divindade. É grande, barata e bem servida. E olhe que pedi a básica. Chama Potato, eu acho.

Fala-se muito bem do camarão no abacaxi da Dona Amélia, aliás, estava sempre cheio. Sinal de que a comida é boa. Mas infelizmente optei por outro restaurante quase em frente com um peixe grelhado. Deveria ter ido mesmo pra Dona Amélia. É um bocadinho caro também.

Dica: saia da rua do forró e da rua principal, vá à rua da padaria que tem restaurantes muito bons também: Sapão, Pimenta verde e Bistrogonoff.

Fala-se muito bem também do Leonardo da Vinci, mas achei tudo muito caro, prefiro mil vezes o Tamarindo.

É isso... fiz um resumão da minha viagem pra vocês, espero que tenham gostado e vão a Jeri...

Mais informações pelo: http://www.portaljericoacoara.com.br

E a comunidade Jericoacoara do Orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=40770

E esse site também:

http://www.feriasbrasil.com.br/ce/jericoacoara/dicas.cfm?IDgrupo=07



segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.
Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna
que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas.
Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar.
Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta,
era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma,
e sem sequer precisar me procurar.

A Paixão Segundo GH - Clarice Lispector

domingo, 31 de outubro de 2010



Mudar é preciso!
Porque a vida pede movimento...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010



Os filmes nos trazem tantas surpresas...

Hoje vi um filme maravilhoso sobre a relação de duas irmãs e seus conflitos chamado "Em seu lugar", que me apresentou dois grandes escritos da literatura americana. Sim, eu confesso, não os conhecia... isso faz de mim uma ignorante? Talvez... mas sempre é tempo de descobrir, de desvendar, e os filmes são excelentes para isso, também!
Vou então postar os dois poemas que me levaram às lágrimas nesta manhã de segunda-feira cinzenta...


A Arte de Perder - Elizabeth Bishop

A arte de perder não é difícil de dominar

Tantas coisas parecem cheias da intenção de

serem perdidas
Que sua perda não é um desastre.

Perca alguma coisa todos os dias
Aceite o contra-tempo de perder as chaves da porta
A hora gasta inútilmente.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Depois, pratique perder mais, perder mais rápido
Lugares, nomes, situações....tantas coisas

Eu perdi duas cidades, dois rios, um continente
Eu os perdi, mas não foi um desastre.
Até mesmo perder você (a voz brincalhona, aquele gesto que eu adoro), não muda nada.

É evidente que arte de perder não é difícil de dominar
Embora pareça,

Embora possa parecer (escreva!) um desastre.

---------------------------------------------------------


Eu carrego você comigo - E. E. Cummings

Carrego seu coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele.

Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça,
Eu faço por você.

Não temo meu destino
Você é meu destino, meu doce.
Eu não quero o mundo, por mais belo que seja.

Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.

Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA.
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder.
E esse é o mistério que mantém a distância entre as estrelas.

Eu carrego seu coração comigo,
Eu o carrego no meu coração.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Problemas têm família...



No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto,
A partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela - silêncio perpétuo, extinto por lei todo o remorso.
Maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais.
Mas problemas não se resolvem...
Problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear...
O Problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.

Leminski

domingo, 13 de junho de 2010



Clarice me traduz...

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver (...)
Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.

...

À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa.
Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios.