segunda-feira, 27 de abril de 2009


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

No caminho com Maiakóvski- Eduardo da Costa
"... Nós vos pedimos com insistência: Não digam nunca:"isso natural!" Diante dos acontecimentos de cada dia, Numa época em que reina a confusão, em que corre sangue, em que arbítrio tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza, não digam nunca: "isso é natural!" Para que nada passe a ser imutável!..."

Bertold Brecht

domingo, 26 de abril de 2009


Uma maravilha de notícia hoje:
Mais uma grande amiga grávida!

Ela soube hoje que está com duas semanas de gravidez e ligou pra dividir essa realização. Uma criança vindo é sempre uma renovação da humanidade...é a esperança se traduzindo em vida!!!
Que venha com muita saúde, porque amor não faltará!!! Parabéns!!!
Ps: Outra amiga está aproximadamente com 6 meses de gestação...e haja sobrinhos!!!

"Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou."
Força Estranha - Caetano Veloso

Para pintar o retrato de um pássaro

Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
pintar depois
algo de lindo
algo de simples
algo de belo
algo de útil
para o pássaro
depois dependurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer...
Às vezes o pássaro chega logo
mas pode ser também que leve muitos anos
para se decidir
Não perder a esperança
esperar
esperar se preciso durante anos
a pressa ou a lentidão da chegada do pássaro
nada tendo a ver
com o sucesso do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
guardar o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando já estiver lá dentro
fechar lentamente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro
Fazer depois o desenho da árvore
escolhendo o mais belo galho
para o pássaro
pintar também a folhagem verde e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos insetos pelo capim no calor do verão
e depois esperar que o pássaro queira cantar
Se o pássaro não cantar
mau sinal
sinal de que o quadro é ruim
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
Então você arranca delicadamente
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome num canto do quadro


Jacques Prévert
(trad. Silviano Santiago)

Acho esse texto maravilhoso e super atual.

O Último Discurso
de “O Grande Ditador”

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.


O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.


A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.


Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!


Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.


É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!


Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
Charles Chaplin - No filme O Grande Ditador

sexta-feira, 24 de abril de 2009


Susan Boyle é feia? Ou feios somos nós?

Susan surgiu como um patinho feio, destituída de qualidades, interiorana. Aos 47 anos, solteira, desempregada, fora de todos os padrões de beleza, solitária. Quer crime mais grave? Nunca foi beijada.

Ao participar de um dos programas de calouro mais populares da TV britânica –“Britain’s got talent”, entrou no palco tímida, desajeitada, com o rótulo garantido de fracasso. A plateia a trratou com deboche antes de sua apresentação. Foi recebida com ironia também pelos jurados. Mas ela não se intimidou. Com uma rara doçura e sem se abalar, apresentou-se. Quando abriu a boca, revelou a voz de um anjo.

Interpretando “I dreamed a dream”, do musical “Os miseráveis”, extraiu de nós todos os sentimentos: culpa, vergonha, vingança, esperança. A dona do vozeirão demoliu com altivez todos os preconceitos e deu uma lição ao mundo.

Este vídeo faz queimar o rosto dos maiores hipócritas. Mais que um exemplo de superação, é um exemplo claro que nso faz pensar sobre quais valores edificamos nossa sociedade. Não há nada de errado com ela. NADA.
Já conosco...
Uma bela lição!
Vejam no youtube:
Susan Boyle Versão Completa Legendado PT BR

segunda-feira, 20 de abril de 2009


Mais atitudes, menos palavras;
Mais respeito, menos julgamento;
Mais gentileza, menos grosseria;
Mais acolhimento, menos invasão;
Mais afetividade, menos racionalização;
Mais compreensão, menos explicação;
Mais autoconhecimento, menos auto-suficiência;
Mais afetividade, menos aspereza;
Mais confiança, menos descrédito;
Mais perplexidade, menos naturalização dos fatos;
Mais rosas, menos canhões;
Baixemos, pois, as guardas dos nossos corações endurecidos.
Só o amor nos salvará!
O amor ação, não o amor palavra...