sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


Saudades da minha mãe

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


O tempo do meu joio e do meu trigo

O que eu espero das pessoas é no mínimo o que eu faria. E o que eu desejo às pessoas é sempre o eu desejo a mim.
Não espero de uma amizade, senão, atitudes...
Palavras são o de menos, mas os gestos, falam mais que tudo.
Quero dos “meus” amigos e daqueles que me são caros, senão suas manifestações de afeto. Nada mais! E afeto não se mede por presentes, por “favores”, por trocas, por quantidade de vezes que se encontram.
Pra mim, afeto se mede por preocupação, por cuidado, por se pôr no lugar do outro. Por acolher nos momentos mais difíceis e não por rir nos momentos mais fáceis.
É por isso que amizade pra mim se mede pela quantidade que se chora junto, que se pega na mão, que se olho no olho e que se sente e compreende o outro, mesmo que contrariem nossos desejos, ou não concordemos com eles.

sábado, 17 de janeiro de 2009


Nunca me traduziu tanto como agora:

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minha fonte, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008



Receita de Ano Novo - Drummond



Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)


Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008




Conflitos na Faixa de Gaza - Palestinos X Israelenses

(Onde mora a Confraternização Universal?)



Para entender melhor a "guerra santa" na Arábia



O bombardeio dos últimos três dias sobre a Faixa de Gaza foi um final violento para a trégua mal-sucedida dos últimos seis meses entre inimigos irreconciliáveis - o grupo palestino Hamas e o governo de Israel.
Os ataques já provocaram ao menos 360 mortes e deixaram 1.690 feridos em Gaza, além de dois mortos em território israelenses. Entre os mortos em Gaza, ao menos 57 são civis, segundo a ONU.
O cessar-fogo negociado pelo Egito, em vigor desde junho, foi desrespeitado diversas vezes pelos dois lados. Ele terminou em 19 de dezembro, rompido unilateralmente pelo Hamas.O grupo islâmico acusa Israel de não suspender o bloqueio que impõe à Faixa de Gaza desde que o grupo radical assumiu o controle do território, há dois anos e meio. O governo israelense responde que o Hamas não cumpriu a promessa de parar os ataques com foguetes contra cidades do sudoeste de Israel, nem reprimiu o contrabando de armas e explosivos para a Faixa de Gaza através de túneis na fronteira com o Egito , também bombardeados no fim de semana pela Força Aérea de Israel.
O bloqueio cria enormes dificuldades para a população de Gaza, este estreito pedaço de terra a oeste de Israel, na fronteira com o Egito.
Com apenas um quarto da área do município de São Paulo, a Faixa de Gaza tem mais de 1,5 milhão de habitantes. No futuro, este território deve fazer parte de um estado para o povo palestino.
A ONU já afirmou que as barreiras israelenses impedem o abastecimento de produtos básicos, como comida e remédios, e causam uma profunda crise humana nesse espaço marcado por pobreza e superpopulação. Quando impõe barreiras à Faixa de Gaza, o governo de Israel, na verdade, mira o Hamas. O grupo, a maior organização islâmica nos territórios palestinos, é inimigo declarado do Estado de Israel e não aceita nem mesmo o direito de Israel existir.Militantes do Hamas e de outros grupos armados infernizam a vida nos povoados e cidades israelenses vizinhos à Faixa de Gaza disparando mísseis caseiros, apelidados de "Qassams". Os projéteis, de baixa precisão, têm raio de ação relativamente curto, mas o serviço de segurança israelense diz que sua versão mais recente pode atingir alvos a até 40 quilômetros de distância. Os Qassams costumam causar mais destruição do que mortes. Só de novembro até agora, quase 500 mísseis e morteiros teriam sido disparados de dentro da Faixa de Gaza contra alvos do outro lado da fronteira. Uma pessoa morreu no sábado e outra nesta segunda feira. Nos últimos dias, o governo israelense avisou várias vezes que não iria mais tolerar os foguetes, que causam insegurança constante entre os vizinhos da Faixa de Gaza.Apesar da intranqüilidade e das mortes provocadas pelos palestinos, a resposta militar de Israel foi criticada inclusive pelo governo brasileiro, que considera os bombardeios desproporcionais à provocação feita pelo Hamas.

Saiba Mais:



http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://electronicintifada.net/artman2/uploads/1/070614-gaza-crisis.jpg&imgrefurl=http://rafaelfortes.wordpress.com/category/artigos-traduzidos/&usg=__IBLZpalkiqQUhnAVwwegxqn9rGU=&h=348&w=483&sz=44&hl=pt-BR&start=4&tbnid=tDAdhYDqgEyoEM:&tbnh=93&tbnw=129&prev=/images%3Fq%3Dfaixa%2Bde%2Bgaza%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG



http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL938194-5602,00-ENTENDA+O+CONFLITO+NA+FAIXA+DE+GAZA.html

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008



Um Feliz Natal é quando Cristo renasce em nossos corações,
renovando as esperanças de amor, fraternidade, paz, solidariedade e amor ao próximo.
Papai Noel e presentes é o desvirtuamento do que realmente significa essa data.
Muita luz a todos e todas!!!



"Natal, minha criança, é amor em ação.
Toda vez que nós amamos, toda vez que nós damos, é Natal."

sábado, 20 de dezembro de 2008


Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.


Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.


Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
Canção amiga
Carlos Drummond de Andrade