terça-feira, 5 de maio de 2009


Tudo bem
Quando termina bem
E os seus olhos
Não estão rasos d'água
Mas eu sei que no coração
Ficaram muitas palavras
Um vocabulário inteiro
De ilusão...

Tudo que viceja
Também pode agonizar
E perder seu brilho
Em poucas semanas
E não podemos evitar
Que a vida trabalhe
Com o seu relógio invisível
Tirando o tempo de tudo
Que é perecível...

É impossível - Biquini Cavadão

sábado, 2 de maio de 2009


Os homens trocam as famílias
As filhas, filhas de suas filhas
E tudo aquilo que não podem entender
Os homens criam os seus filhos
Verdadeiros ou adotivos
Criam coisas que não deviam conceber

O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move e
O que nunca vai se mover...

O tempo engana aqueles que pensam
Que sabem demais que juram que pensam
Existem também aqueles que juram
Sem saber

Sobre o tempo - Thedy Corrêa

sexta-feira, 1 de maio de 2009


No dia do trabalho
Minha homenagem às muheres pedreiras,
guerreiras, fortes,valentes...
que assim como a luta das mulheres vem se constituíndo tijolo à tijolo
vem tb buscando ocupar espaços até então inimagináveis.
Elas subiram o muro da minha casa, para conter a dureza da violência masculina cotidiana.
O muro foi erguido, mas muitos outros foram por terra...
As mãos que misturaram o cimento, a areia e aágua, misturaram também a coragem, a determinação, a auto-estima feminina, a força que nunca cessa, a delicadeza do olhar e do sentir.
Uma nova página da história foi escrita. Está sendo escrita!

segunda-feira, 27 de abril de 2009


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

No caminho com Maiakóvski- Eduardo da Costa
"... Nós vos pedimos com insistência: Não digam nunca:"isso natural!" Diante dos acontecimentos de cada dia, Numa época em que reina a confusão, em que corre sangue, em que arbítrio tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza, não digam nunca: "isso é natural!" Para que nada passe a ser imutável!..."

Bertold Brecht

domingo, 26 de abril de 2009


Uma maravilha de notícia hoje:
Mais uma grande amiga grávida!

Ela soube hoje que está com duas semanas de gravidez e ligou pra dividir essa realização. Uma criança vindo é sempre uma renovação da humanidade...é a esperança se traduzindo em vida!!!
Que venha com muita saúde, porque amor não faltará!!! Parabéns!!!
Ps: Outra amiga está aproximadamente com 6 meses de gestação...e haja sobrinhos!!!

"Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou."
Força Estranha - Caetano Veloso

Para pintar o retrato de um pássaro

Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
pintar depois
algo de lindo
algo de simples
algo de belo
algo de útil
para o pássaro
depois dependurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer...
Às vezes o pássaro chega logo
mas pode ser também que leve muitos anos
para se decidir
Não perder a esperança
esperar
esperar se preciso durante anos
a pressa ou a lentidão da chegada do pássaro
nada tendo a ver
com o sucesso do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
guardar o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando já estiver lá dentro
fechar lentamente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro
Fazer depois o desenho da árvore
escolhendo o mais belo galho
para o pássaro
pintar também a folhagem verde e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos insetos pelo capim no calor do verão
e depois esperar que o pássaro queira cantar
Se o pássaro não cantar
mau sinal
sinal de que o quadro é ruim
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
Então você arranca delicadamente
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome num canto do quadro


Jacques Prévert
(trad. Silviano Santiago)